Publicado pela primeira vez em 1988, A invasão cultural norte-americana, de Júlia Falivene Alves, é um livro curto, composto por quatorze capítulos que falam sobre como o Brasil é um país cuja política foi (e vem sendo) fortemente influenciada por ideais norte-americanos. Estes sendo divulgados e implementados, prioritariamente, por meio da cultura e multinacionais.
Inicialmente o leitor é introduzido a alguns pontos importantes para o entendimento da leitura e, até mesmo, explicações. Estes pontos são: A denúncia que é feita no livro em forma de críticas fundamentadas na história do Brasil, o reconhecimento de que, por mais que essas críticas tenham sido levantadas, há o respeito e a boa incorporação da cultura do outro (espera-se) e, por fim conceitos cujas interpretações podem ser inúmeras. Tudo isso vai explicar o teor ácido que o texto assume durante o passar dos capítulos e, que de maneira alguma, perde a confiabilidade ou a seriedade.
O livro traz desde críticas relacionadas às classes sociais (como quando cita Marx e conceito de ideologia) ao povo brasileiro, ao jovem, à música, à TV, ao rádio, à formação das crianças, aos blocos políticos, aos fatos históricos, às empresas multinacionais entre outras áreas/setores dos quais muitos não tem ideia de como podem ser influenciados.
Uma característica marcante é a facilidade com a qual o leitor pode entender o texto por causa da boa escrita e didática que são encontradas no livro. Não é preciso ser político ou historiador para entender os fatos, somente muito leigo para não buscar, ao menos, uma reflexão. A ausência de termos de área de especialidade ajuda bastante na contribuição dessa escrita.
Retomando o que foi dito anteriormente, o teor ácido do livro é criado por conta das inúmeras críticas e denúncias, afinal o intuito dele é despertar uma visão crítica aos acontecimentos passados, atuais e futuros para que o mesmo (ou pior) não se repita. Uma passagem do texto na qual pode-se observar esse fato é:
O objetivo comum era interligar todo o país pelos meios de comunicação. A integração nacional tornaria possível a difusão massiva e maciça de mensagens que garantiriam a padronização de opiniões, desejos e valores, colocando-se facilmente no mercado maior quantidade de produtos, tanto materiais quanto ideológicos (ALVES, 2012, p. …)
Ao ler esse trecho o leitor é confrontado a, pelo menos, pensar se concorda ou não com o fato exposto: De que a mídia, em especial a TV dado a época, é uma arma de controle, alienação usada tanto para divulgar os produtos de consumo quanto os ideais imperialistas norte-americanos. Outra passagem que demonstra esse teor é:
Usando-se também o vídeo, o sentimento patriótico do brasileiro seria manipulado pela ditadura a fim de afastá-lo o mais possível de militâncias ou manifestações que de algum modo pudessem mudar o quadro político nacional. (ALVES, 2012, p. …)
Dessa maneira, em vez de criar no brasileiro um senso crítico que o convide a participar ativamente e, de fato, na construção do país, ele é levado ao canto, onde tem seus olhos, bocas e ouvidos tapados da realidade.
Essas e outras questões são muito bem levantadas pela escritora no livro, de um modo que não soa impositivo ou pessimista, pelo contrário, convidativo e otimista. Ela apresenta os fatos e busca criar um processo mental crítico-analítico no leitor, visando olhar sempre todos os lados da moeda ou versões da história. Não acreditar em tudo que ouve, lê e (principalmente) vê.
Escrito por Lucas Almeida